Eu já estava saindo, ele me disse:
- Não esquece o casaco?
- Casaco? Pra quê?
-Lá é sempre frio!
Com uma cara de “merda’ peguei o casaco do varal que me
abraçou feito um coberto de urso e fui ao carro. Nem 20 passos e já sentia o
meu corpo em chamas. Havia sol.
No caminho da rodovia um transito, o rádio desregulado torna
o caminho lento e aquela música não saia da cabeça. Pensava nela a 2 dias
seguidos.
Ao longe ouvi uma sirene, que na fração de segundo me
ultrapassou pelo acostamento, foi então que vi que o transito lento era muito
mais que simples concerto da rodovia.
Eu teria que pensar, era obrigada a ficar comigo mesmo
falando e falando e falando ao som daquela música que me faz pensar em você.
1 hora depois e consigo chegar, meu único calculo era de
como desviar e antecipar todos os problemas que estariam até finalmente chegar
ao destino.
Estava tão quente com o casaco que me esqueci que só estava
com ele por obrigação, fiquei irritada e o atirei no banco de trás, justamente
quando havia chegado ao meu destino. (Destino?)
Não precisei falar nada, estava tudo pronto com todos os cálculos
feitos, numa circunferência dividida como uma pizza. Tudo muito bem preenchido
e organizado, exceto por 3 casas.
As principais casas estavam vazia.
Ai estava o maior problema, não se tratava de um vazio
comum, preenchido com o tempo, era um vazio da alma.
O único vazio que eu procurava.
Fiquei 2 horas parada, observando, imaginando, revendo todos
os planos, sonhos, desejos e pensando em como isso nunca iria acontecer. Como
isso nunca poderia acontecer.
Todas as respostas do meu mundo, ali, nas casas vazias.
No vazio.